quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Natal desacelerado

Daqui a pouco é noite de Natal e a cidade está desacelerada. As pessoas andando mais devagar, os carros mais compreensíveis, todos se preparando para se reunir com suas famílias e celebrar a vida, o milagre do Deus encarnado.
Só eu que não desacelerei ainda. Minha alma anda agitada. Estava tão sem concentração que meu irmão me chamou para tomar um sorvete, espairecer. Mesmo sentado no carro, parecia que estava me movimentando, algo como se estivesse dois segundos a frente de tudo. Depois de um bom papo, voltei para o trabalho e consegui um mínimo de concentração com muita luta para controlar os sentimentos internos.
Fui almoçar com minha esposa e continuava na luta lenta e paciente. Eu conseguia perceber que cada detalhe me ajudava a desacelerar. Só não sabia que hoje encontraria um esconderijo. Tive uma tarde bem melhor.
A calma começava a voltar.
Não consegui sozinho, aliás ninguém consegue. Precisei de ajuda e ainda preciso. A mulher da minha vida me fez parar de olhar para mim e olhar para o esconderijo. Algo que desviasse a minha atenção. Só quem está acelerado sabe: a cabeça fica cansada, o corpo sofre, os olhos não encontram descanso nem alegria. A mente pensa em si e pergunta: e agora, o que vai acontecer? Nada! É só a mente dizendo para a alma se agitar.
Aqui é meu esconderijo, aqui é onde vou buscar calma. O melhor é que não me senti só: encontrei a paz me dizendo: "irmao, é preciso coragem". O amor entrou comigo sempre me dizendo: "você é minha vida". Também creio que Jesus está comigo dizendo: "se você está cansado e sobrecarregado, pode vir que eu vou te aliviar".
Quero um Natal desacelerado para mim e para você. Curta a sua família, dê risada, alegre-se, chore, ame, acalme-se. Quando você menos esperar também pode encontrar o seu esconderijo.

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